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18/04/2015

FOOD STYLIST, EU?

Na primeira vez em que fui chamada para fazer uma produção, eu nem sabia que food styling era um ofício.

Foi quando comecei a me aventurar no mundo dos eventos, em Blumenau. E o mais curioso: foram dois contratos simultâneos! O ano era 2004.

Um amigo da família, o designer gráfico Enio Souza (hoje na Agência Human),  precisava de uma produção para ilustrar a embalagem que estava desenhando para o lançamento de um produto. Precisava de um filet bem apresentado, valorizando o acompanhamento (batata palha, o produto em questão). Eu não tinha o menor conhecimento de fotografia, iluminação, design de embalagem… nada! E a foto seria feita em Curitiba (outro capricho do destino…).

Foi como um despertar pra um mundo paralelo que sempre esteve presente no meu cotidiano – alguém produz aquilo que está no rótulo!

Na semana seguinte – mesmo! – um fotografo me procurou para desenvolver 10 receitas com atum em conserva, e produzir os pratos para ilustrar o rótulo das latas, com a receita no verso. Neste momento, uma luz se acendeu: será mera coincidência?

Comecei a procurar informações na (ainda precária) internet e descobri que por trás dessa produção toda tinha um profissional, totalmente dedicado à aparência e apresentação do alimento. Fiquei encantada por esse mundo; passei a comprar livros pelas fotos, não mais pelas receitas, comecei a acompanhar diariamente blogs de fotografia e fiquei muito mais atenta às embalagens e panfletos de receita no supermercado.

Porém, as produções pararam por ali… Aquilo que, seria um sinal – pensei – foi fogo de palha…

No ano seguinte, conheci o Nilo e vi que realmente estava predestinada ao mundo da fotografia. Recebi uma ligação da agência que fazia a publicidade de um cliente, um restaurante que na época eu atendia com treinamento de equipe e renovação de menu. Para marcar o lançamento do novo cardápio, planejava-se uma grande mudança física no salão, onde seriam afixadas imagens conceituais da nova proposta, em backlight. Para isso haviam contratado um fotógrafo, de Curitiba, que viria fazer as fotos na minha empresa.

Hoje lembramos, rindo muito, dessa experiência – eu com pouquíssimo conhecimento na área (como única garantia, os dois trabalhos já feitos), ele na insegurança de trabalhar com uma produtora desconhecida…

O trabalho correu às mil maravilhas: cliente satisfeito, agência com o job conquistado e nós dois iniciando uma amizade e parceria sem precedentes.

Logo o chamei para fotografar para mais dois clientes em Blumenau. Depois ele me encaixou em dois projetos em Curitiba e assim seguimos por vários anos (as fotos desse post são dessa época, nossos primeiros trabalhos juntos). Em 2010 decidi mudar definitivamente para cá, principalmente pelo crescente trabalho nessa área.

Nesses anos de convívio, a fotografia se tornou uma constante no meu trabalho e na minha vida. Fiz alguns cursos, aprendi muito na prática, durante nossas produções e hoje meu trabalho ficou muito mais fácil, graças a um entendimento muito maior de luz, proporção, angulação e composição.

Além de entrar de cabeça nesse mundo das imagens, acabei contaminando o Nilo com os bastidores da cozinha, sabendo que já era um grande entusiasta da boa mesa. Juntando tudo que a gente ama, acabamos bolando essa Trama!

Hoje percebo claramente que a fotografia mudou também minha percepção de montagem dos pratos. Trabalhando constantemente focada na beleza, na estética, na apresentação, meu trabalho ficou muito mais criterioso. Fui percebendo o que é importante que seja mostrado, o que precisa ser sentido e o que deve ficar escondido – pra só aparecer no final!

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